Roger vê desatenção e traça objetivo até pausa para Copa
10/05 - 22h43
O técnico Roger Machado viu o São Paulo desatento na volta para o segundo tempo do clássico contra o Corinthians, neste domingo, na Neo Química Arena. O jogo, válido pela 15ª rodada do Campeonato Brasileiro, estava 1 a 1 no intervalo e terminou 3 a 2 para o rival.
Roger Machado acredita que o problema da desatenção já afetou o São Paulo em outros jogos importantes e que isso tem atrapalhado seu time na busca por mais pontos no Campeonato Brasileiro.
– São fatos que se repetiram em jogos importantes. Não voltamos com o mesmo nível de atenção que terminamos a primeira etapa, e isso custou pontos importantes. Aos 10 minutos do primeiro tempo demos duas oportunidades ao Corinthians. No terceiro gol, a bola estava com a nossa equipe, erramos o passe e expusemos a defesa. Depois teve um dois contra dois pelo lado do campo, que também acabou sendo superado após o escorregão do Ferreira, impedindo uma cobertura melhor.
– São pontos, sim, que temos que corrigir. O primeiro gol saiu ali nos primeiros 15 minutos, que é quando o mandante pressiona, e temos que usar o que planejamos. Até ali, nos primeiros 10, 15 minutos, tivemos profundidade. Era uma estratégia devido à linha alta do Corinthians. Nos inícios de jogo, principalmente no segundo tempo, precisamos voltar mais concentrados para não oferecer ao adversário o que ele deseja – disse Roger Machado.
O São Paulo ainda tem mais seis jogos até a parada das competições para a Copa do Mundo. Neste momento, o Tricolor é o quarto colocado na tabela de classificação do Campeonato Brasileiro. E Roger Machado disse, na entrevista coletiva, que o objetivo é justamente se manter no G-4 até a pausa, além de avançar na Copa do Brasil e seguir bem na Sul-Americana.
— Até a parada para a Copa, a meta é manter o G-4, com possibilidade de subir na tabela, se classificar na Copa do Brasil e deixar bem encaminhada a classificação na Sul-Americana. Ainda temos alguns jogos em sequência, difíceis, mas esse grupo sempre respondeu às adversidades. Tenho certeza de que será assim agora – completou.
O São Paulo entra em campo novamente na próxima quarta-feira, às 19h, para enfrentar o Juventude, no Alfredo Jaconi, pela partida de volta da quinta-fase da Copa do Brasil. O Tricolor venceu o jogo de ida por 1 a 0, no Morumbis.
Veja outros trechos da entrevista de Roger Machado:
Mudança de postura
– O que me preocupou, na verdade, foram os momentos em que saímos do jogo, não apenas pela qualidade do adversário, mas porque cedemos a bola ao Corinthians, sem cuidar bem dela, ou cometendo erros que, nesse nível de jogo, não podemos cometer contra equipes que atuam em casa, ao lado do torcedor e pressionam bastante.
– Foram poucos os momentos em que conseguimos atacar as costas do adversário. Sofrer gols cedo no segundo tempo dá confiança ao adversário. As mudanças foram feitas para termos mais equilíbrio. Em alguns momentos o jogo ficou perigoso, mas o resultado de 3 a 2 mostra que talvez não merecêssemos mais sorte pela quantidade de erros que tivemos, e o adversário soube aproveitar bem.
Arboleda
– O Arboleda ainda está em nível de diretoria. Ele é um atleta do clube, manifestou os desejos que todos sabemos, se ausentou por muito tempo e está em período de recondicionamento. Mas ainda não chegou o momento de tratar da parte técnica. Quando isso acontecer, como atleta do clube, quem sabe pode nos ajudar no futuro. Mas hoje não é uma decisão minha.
Maik
– Maik foi uma decisão conjunta entre comissão técnica e diretoria. Desde que cheguei aqui, tenho conversado com Maik que ele tinha que evoluir nos treinos para se colocar em condição de competir com os outros jogadores da posição, e isso foi para ele alcançar esse nível.
Substituições
– O gol que fizemos não foi dado, foi motivado por uma pressão alta no adversário. Esse erro foi forçado pela nossa pressão no campo de ataque. Sobre as mexidas tardias ou não, foi um momento em que entendi que devia fazer as alterações e colocar opções diferentes em campo. Isso pode acontecer com 10 minutos, 20, mas naquele momento vi que uma mudança poderia tornar o jogo mais perigoso, por isso esperei um pouco mais para mexer.
Preocupações
– O que me preocupou, na verdade, foram os momentos em que saímos do jogo, não apenas pela qualidade do adversário, mas porque cedemos a bola ao Corinthians, sem cuidar bem dela, ou cometendo erros que, nesse nível de jogo, não podemos cometer contra equipes que atuam em casa, ao lado do torcedor e pressionam bastante.
– Foram poucos os momentos em que conseguimos atacar as costas do adversário. Chutar ao gol em um segundo tempo no qual sofremos gols cedo dá confiança ao adversário. As mudanças foram feitas para termos mais equilíbrio. Em alguns momentos o jogo ficou perigoso, mas o resultado de 3 a 2 mostra que talvez não merecêssemos mais sorte pela quantidade de erros que tivemos, e o adversário soube aproveitar bem.
Escalação
– A utilização do Ferreira foi para buscar conseguir o que tivemos no primeiro momento: jogadas em profundidade nas costas do Corinthians, que sabíamos que iria jogar mais alto. Com os laterais marcando mais próximos, poderíamos explorar essa profundidade. A escalação foi definida pela estratégia do jogo.
– Trazendo o Luciano para compor o meio no 4-2-3-1, entendíamos que equilibraríamos o setor e poderíamos ter velocidade nas costas da defesa com ele e Artur, como conseguimos ensaiar em algumas jogadas. Uma finalização do Ferreira aconteceu dessa forma, a do Artur foi bem bloqueada dentro da grande área, e o Calleri também teve oportunidades em profundidade.
– Foi uma escolha baseada no posicionamento do adversário e isso pode se repetir ou não, de acordo com o que entendermos que o adversário vai nos oferecer de espaço e oportunidade para criar.
Dúvida na lateral
– Os lados do campo são marcados pelos laterais e pelos pontas. Com exceção daquela jogada que se desenrolou e saiu o gol, não havia nada de errado. Foi uma perda de duelo pelo lado do campo. A escolha do Enzo no lugar do Wendell para esse jogo foi para termos uma linha mais sólida, deixando o Ferreira mais aberto, como um ponta. O Wendell dá uma característica mais ofensiva, enquanto o Enzo oferece uma proteção defensiva maior. Foi uma decisão pelo equilíbrio de forças da equipe, principalmente diante dos jogadores importantes que o adversário tinha pela frente.
Pressão
– Eu penso que a gente está entre os primeiros colocados da competição. O Brasileirão é um torneio em que você vai ter instabilidade, e a motivação é sempre para que a gente encontre um equilíbrio. Não que um determinado jogo represente uma virada de chave, mas que você possa evoluir ao longo das partidas. Contra o Bahia tivemos uma boa atuação, conseguimos fazer muito do que treinamos em campo.
– Hoje demos um passo atrás, diante de um adversário diferente, com virtudes diferentes, que nos ofereceu dificuldades diferentes. Precisamos reunir essas informações e trabalhar para corrigir os erros de hoje, alguns coletivos, outros individuais, reagrupar e buscar a classificação novamente na quarta-feira.
– Se eu me sinto pressionado? Não me sinto, mas sei que estou pressionado desde antes de chegar. Esses dois meses têm sido de concentração diária em busca de melhorias e para mostrar o futebol que o torcedor do São Paulo deseja, com mais regularidade nos jogos, para ter menos instabilidade em uma competição que pode apresentar circunstâncias que nem sempre estão no seu controle.