São Paulo terá que responder a processo de torcedor gravemente ferido no Morumbi
01/09 - 15h00
Além da má fase no futebol, o São Paulo terá que lidar com um problema extracampo. A Defensoria Pública de São Paulo entrou com uma ação judicial com pedido de indenização contra o São Paulo, o Estado e o Hospital São Luís. A acusação é em favor do torcedor Sidney Gratuliano Moreira, atingido por três balas de borracha disparadas pela Polícia Militar no estádio Morumbi, em 2005.
O episódio aconteceu na final da Copa Libertadores, quando o time tricolor foi campeão em cima do Atlético-PR. Sidney, então desempregado e com 29 anos, teve afundamento craniano e graves problemas neurológicos. As seqüelas o deixaram permanentemente incapaz.
De acordo com o Defensor Público Luiz Raskovski, o São Paulo deve indenizar Sidney pelos danos causados porque o Estatuto do Torcedor determina que o clube mandante providencie a segurança necessária dentro e fora do estádio.
A Defensoria Pública pede que os acusados arquem com as despesas dos tratamentos e também uma indenização por danos morais no valor de 200 salários mínimos. Além disso, as partes podem ter que pagar pensão mensal ou uma única vez para a vítima. O valor estipulado é correspondente ao salário que o torcedor deixou de receber em função dos seus problemas de saúde.
Outro acusado pela Defensoria é o Hospital São Luiz, considerado ‘negligente e imprudente’ no fato. Sidnei teria sido liberado pelo médico que o atendeu, que apenas indicou ao torcedor ferido que procurasse “atendimento mais adequado em hospital com estrutura”. O hospital não providenciou a transferência.
Segundo a ação, o Estado responde de forma solidária pelos atos dos policiais. Isso porque o torcedor foi atingido na cabeça e nas costas à curta distância. As balas de borracha devem ser atiradas abaixo da cintura e à distância de ao menos 20 metros.