Crespo pede reforços e diz que tem tentado blindar elenco
11/01 - 23h38
Hernán Crespo diz que tem tentado blindar os jogadores do elenco dos casos de polícia que o São Paulo tem vivido fora de campo. Num momento em que o presidente Julio Casares se defende de várias acusações e luta para não perder o cargo num processo de impeachment, o treinador tem tentado montar um time neste início de 2026. Na estreia, perdeu por 3 a 0 para o Mirassol.
– É um momento delicado. Acredito na Justiça, a Polícia está trabalhando. Ainda não tem culpados, eu acompanho com confiança, pensando que até prova contrária todos são inocentes. A situação como falei é muito sensível, muito difícil, mas aqui todo mundo está tentando ajudar. Colocando a cara, trabalhando todo dia, para melhorar a situação. O mesmo falo para o grupo inteiro, todos sabem. Os atletas têm que estar blindados, é um problema que deve ficar fora. É difícil? Muito difícil, mas a situação é essa. Já falei muitas vezes, preferia ter a idade para vir ao São Paulo nos anos 90. Não aconteceu. Estou aqui e vamos trabalhar para sair de uma situação muito difícil e delicada. O que podemos controlar, é blindar e proteger o grupo que trabalha dia a dia para tentar fazer o melhor.
Ao mesmo tempo, o técnico espera a chegada de reforços para qualificar a equipe atual:
– É um momento muito sensível. Tenho obrigação de cuidar e proteger do time e São Paulo. No fim do dia, o São Paulo é maior que todos nós juntos. Meu trabalho é tentar proteger o time, o São Paulo, sabendo perfeitamente que falo com a diretoria que precisamos de reforços, porque foram embora muitos jogadores e não temos modo de pensar que com poucos atletas enfrentar toda a temporada. A diretoria sabe, está trabalhando nisso. Temos que nas nossas possibilidades tentar reforços para ajudar o time. A situação é difícil, todo mundo sabe.
Sobre a falta de perspectivas para a temporada, Crespo disse que as coisas poderão mudar com o tempo, a partir do momento em que o time ganhar corpo e consiga ser competitivo.
– Temos uma janela até março, estamos trabalhando para melhorar o grupo, porque muitos atletas foram embora. E não temos número para tentar jogar em certo nível. E neste número que temos são muitos lesionados voltando, que precisam de tempo, jogar minutos. Estamos trabalhando para melhorar, momento delicado. Temos que acreditar, no futebol tudo pode acontecer. Temos tempo para muitas coisas, mas temos muitos jogos, então não tem espaço para criar, construir. Mas vamos jogar e vamos ver se vamos falar do Paulistão. No fim do dia, precisa estar entre os primeiros oito. Se for o primeiro, melhor. A ideia é tentar classificar, e no mata-mata tudo pode acontecer. Talvez vamos estar fisicamente melhor, talvez notícias boas vão acontecer. Temos que acreditar e estar confiantes.
– Como falei, o São Paulo é maior do que todos nós. O São Paulo não está abandonado, o São Paulo não morreu. Parece que estava um defunto ali. Não acontece nada, é um momento sensível, claro. É difícil? Muito difícil, mas muita gente está aqui para colocar a cara e ajudar. Não é todo mundo ruim aqui. Temos gente honesta, sincera, que vai fazer o melhor para ajudar o São Paulo a voltar aos tempos que todo mundo lembra.
Em sua primeira entrevista, o técnico comemorou que não perdeu jogadores por lesão na estreia. Para a próxima rodada, contra o São Bernardo, na quinta-feira, no Morumbis, a única baixa é Maik, que recebeu cartão vermelho no jogo contra o Mirassol.
– Depois de sete dias (de treinos), jogar um jogo oficial e não ter lesionados já é uma notícia positiva. Eles mereceram, acho que o resultado é maior do que o jogo apresentou. Mas eles mereceram a vitória. Jogar um jogo oficial é importante para o futuro, a construção.
Veja outros trechos:
Diferença para o Mirassol
– Antes também, quando nos encontramos? Novembro? Não mudou nada, não é porque começou 26 de dezembro e estão bem. Estão bem há tempos, porque tem programação, ideia, muitas coisas. Temos que falar bem dos jogadores e da comissão técnica do Mirassol, porque estão fazendo muito bem. Neste momento eles têm.
Sequência dura de jogos
– Não tem jeito, recuperar e jogar. Infelizmente acho que estamos perdendo a possibilidade de ensinar e aprender com tempo de treinos. Aqui todo mundo quer jogar três dias, calendário é este e temos que adaptar. Na minha opinião, acho que o momento geral do Brasil precisa de tempo para trabalhar, ensinar, aprender, criar uma cultura de trabalho que permita com tempo aprender. A escolha foi jogar a cada três dias, vamos tentar fazer o melhor. Com erros, aprender que erro faz parte, que é difícil criar situações ainda falando de moleques ou garotos que ainda não estão maduros. Quem está maduro vai para a Europa, e quem volta são lendas que precisam de tempo para recuperar. Estamos nesta fase difícil, todo o futebol brasileiro. É assim, a gente sabia, vamos tentar ajudar e fazer o melhor possível. Mas se você me pergunta, o calendário não ajuda para o movimento do futebol brasileiro, mas é assim.